COVID-19 na Cidade

      O SOMAR ArqPET apresenta sua segunda ação! O Covid-19 na Cidade tem o objetivo de utilizar a ferramenta do mapa para espacializar e refletir sobre as possíveis relações entre a propagação da pandemia em Fortaleza e as características socioeconômicas, ambientais e da forma da cidade. Nessa ação iremos disponibilizar uma série de mapas que trazem diferentes informações e apontamentos, buscando contribuir com as discussões recentes sobre o tema e com a documentação de como a doença contaminou a cidade. A equipe de trabalho tratou a tabela de dados do dia 10/07 disponibilizada  pelo IntegraSUS

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ACUMULATIVO DE CASOS

No mapa dinâmico, Acumulativo de Casos, mostramos como se acumularam os casos de março à junho, e destacamos os bairros que mais foram somando casos a cada mês. A partir da análise do mapa observamos que a Aldeota e o Meireles, ambos bairros de alta renda concentradores de serviços e marcados pelo início da propagação da doença, estão sempre em destaque, assim como a Barra do Ceará, que apresenta uma alta densidade populacional devido a presença de assentamentos precários. Em junho, evidenciando os 15 bairros que mais acumularam casos, nota-se a ênfase no sul da cidade, onde existem bairros de maiores proporções e também regiões que apresentam muitos conjuntos habitacionais, muitos que historicamente abrigam famílias expulsas de áreas centrais, e assentamentos precários. O Bairro de Fátima e o Montese, também destacados, parecem estar em uma intersecção entre o zona norte e a zona sul. Para além das dimensões de cada bairro, que elementos podemos observar que tenham relação com o aumento dos casos? 

NOVOS CASOS

Apresentamos nosso segundo mapa dinâmico, Novos Casos. Aqui destacamos quais bairros são foco de novos casos a cada mês, a partir de uma  gradação que vai do branco (menos novos casos) ao vermelho mais escuro (mais novos casos), o número ao lado de cada cor indica a máxima numérica de casos. localizamos os terminais de ônibus, locais de concentração de fluxos, os assentamentos precários e destacamos o bairros com maior percentual de crescimento dos casos de um mês para o outro. Com o mapa podemos fazer observações por mês:

Março: A pandemia inicia na cidade a partir dos bairros nobres, Aldeota e Meireles. Bairros adjacentes que compreendem uma região de renda média alta, como cocó, também se destacam. Mesmo no início, bairros periféricos da zona oeste, Barra do Ceará, e da zona sul, Messejana, Passaré e Jangurussu, tem quantidade expressivas em comparação com o resto da cidade.

Abril: O Covid-19 se espalha de forma mais expressiva, com bairros somando até 415 novos casos. Aldeota e Meireles permanecem e o aparecimento de casos na Barra do Ceará e no Jangurussu se intensifica. O Cais do Porto e a Granja Lisboa são uns dos bairros com maior crescimento percentual, áreas periféricas de extremos opostos da cidade. O litoral oeste, fronteira com Caucaia, bem como as periferias mais ao sul, representado pelo Bom Jardim, José Walter, Conj. Ceará, Passaré e Mondubim, conformam também regiões com mais casos.

 

Maio: Maio foi o pico da doença em Fortaleza e o mês do lockdown. Temos bairros com até 620 novos casos como a Aldeota e o Meireles. É possível notar que na zona oeste existem os bairros com até 420 casos novos e bairros adjacentes afetados.

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Junho: Junho existe uma diminuição do surgimento de novos casos, como uma resposta ao pico e ao lockdown. Com a máxima caindo para 125 casos. O destaque permanece em bairros que já vinham sendo apontados nos meses anteriores, aparecendo Parangaba e Jacarecanga  também sendo destacados. 

 

A partir do verificado que inferências podemos fazer a partir das relações de distribuição de trabalho, bem como dos fluxos e condições de isolamento? Vale ressaltar que o surgimento de novos casos afeta cada bairro de maneiras diferentes.

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NOVOS ÓBITOS E NOVAS CURAS

Os mapas de novos óbitos e de novas curas trazem, a cada mês, no período de março a junho de 2020, as quantidades não acumulativas desses casos em meio aos bairros da cidade de Fortaleza. Além disso, informações de localidades de assentamentos precários e de equipamentos de saúde públicos (hospitais, UPAs e policlínicas) e hospitais privados são representadas.

 

Em destaque, a cada mês, estão os bairros com maior número de novas curas ou novos óbitos do período analisado.


Março: O mês de março marca o início da pandemia em Fortaleza e tem um maior número de novo óbitos e de novas curas no bairro Meireles, onde ocorreu também a maior quantidade dos primeiros casos.


Abril: Em abril, os casos de COVID-19 já haviam se espalhado por mais bairros da cidade, e observa-se uma maior ocorrência de novos óbitos e novas curas em comparação com o mês de março. Uma maior incidência de óbitos em abril foi observada nos bairros Barra do Ceará, Cais do Porto, Cristo Redentor, Messejana e Vicente Pinzon. Destacaram-se com um maior número de curas em abril os bairros Barra do Ceará, Meireles e Aldeota. Nota-se que, com exceção da Barra do Ceará, esses bairros não correspondem àqueles que tiveram um maior número de novos óbitos neste mês.

Maio: O mês de maio, no qual ocorreu o pico de casos de COVID-19 em Fortaleza, teve, também, o maior número de novos óbitos e de novas curas. Os bairros Barra do Ceará, Bom Jardim, Messejana e Vila Velha apresentaram um número maior de novos óbitos. Em relação ao número de novas curas, destacaram-se os bairros Aldeota, Barra do Ceará, Centro, Conjunto Ceará, Meireles, Messejana e Vila Velha.
 

Junho: O mês de junho teve um número menor de novos óbitos e novas curas em comparação com maio, período de pico dos casos em Fortaleza. Destacam-se com maior número de novos óbitos os bairros Messejana, Jangurussu, Prefeito José Walter, Conjunto Ceará, Vila Velha, Centro e Meireles. Em relação à novas curas, os bairros Barra do Ceará, Conjunto Ceará, Messejana e Passaré apresentaram mais ocorrências. Refletindo-se acerca dos dados apresentados, é possível observar que, apesar de serem apontados como bairros com mais casos e mais curas em determinados meses, o Meireles e a Aldeota não estão entre aqueles com maior número de novos óbitos nos meses de abril e maio. Isso pode estar, entre outras questões, ligado à presença mais recorrente de equipamentos de saúde públicos e privados nesses espaços em comparação a outros bairros que tiveram um maior destaque em relação ao número de óbitos.

TOTAL DE CASOS

Apresentamos nosso quarto mapa: total de casos. Aqui mostramos o número total de casos por COVID-19 em todos os bairros de Fortaleza, e também um recorte de alguns bairros para uma análise mais específica. Para entender melhor, arraste as imagens para o lado!

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Ilustrações exclusivas por Julianne Almeida

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